Rota da droga para a RMVale tem início no Paraguai e escala em SP

Rota da droga para a RMVale tem início no Paraguai e escala em SP

10 ABR 2018   |   Por Jornalismo  |   08:45
Foto: Rogério Marques/OVALE
Rota da droga para a RMVale tem início no Paraguai e escala em SP
Rodovia Nova Dutra

Produzida em países vizinhos, com uma escala industrial, ela entra no Brasil por fronteiras desprotegidas -- pelos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul -- e via terrestre chega até a capital paulista, para ser distribuída para diversas regiões, inclusive a RMVale, área com a maior taxa de homicídios do território paulista.

Esta é a rota usada pelo crime organizado para alimentar os pontos de tráfico na região, considerada estratégica neste mapa dos entorpecentes.

Além de resultar lucros milionários para o narcotráfico, esse mercado responde por 80% dos homicídios no Vale do Paraíba, região que possui hoje o dobro da taxa de assassinato por cada grupo de 100 mil habitantes da capital de São Paulo -- respectivamente 13,28 e 6,53.

De acordo com fontes ligadas ao monitoramento do tráfico, a droga que alimenta as biqueiras da RMVale é produzida principalmente no Paraguai e Bolívia, no caso da maconha e cocaína. De lá, aproveitando-se da fragilidade da fiscalização nas fronteiras, o entorpecente chega ao território brasileiro pelos estados do Paraná e também Mato Grosso (dependendo do fornecedor) e pelas estradas chega à zona leste de São Paulo.

Essa entrada é feita por cidades paranaenses como Maringá e Cascavel, e sul-matogrosense também, como Ponta Porã, nas proximidades da paraguaia Salto Del Guaíra. E cada produtor, o traficante que atua no chamado 'atacado', coloca uma marca em sua mercadoria, que é prensada e transportada em tijolos.

O transporte das drogas é feito, majoritariamente, com caminhões. Na zona leste paulistana, esses entorpecentes são então distribuídos para RMVale -- onde o PCC (Primeiro Comando da Capital) é o maior responsável pela venda no varejo.

"O mercado é muito grande. Só na época do Lúcio [Monteiro Cavalcante, traficante da facção que controlava os pontos na zona sul de São José e foi morto em troca de tiros com a polícia em 2017], a venda de cocaína gerava cerca de R$ 2 milhões por mês só no Campo dos Alemães", afirmou um dos agentes responsáveis pelo monitoramento do PCC.

CORREDOR.

O Vale é o corredor para escoamento de drogas e de armas entre o tráfico de São Paulo e Rio de Janeiro, principalmente pela Dutra.

"É uma questão complexa. A droga não é produzida aqui. Ela vem de fora do país. Então há um problema grave de controle de fronteiras nacionais. Aqui [no Vale] a gente acaba tendo um trabalho local, mas é necessário que haja um alinhamento nacional. É um crime transnacional", disse a comandante da PM no Vale, coronel Eliane Nikoluk.

Fonte: Guilhermo Codazzi e Danilo/OVALE
















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